Os Ramones significam muito para a música, para a história, mas é difícil encontrar palavras e expressões suficientes que possam demonstrar isso. Eles revolucionaram o rock com três acordes, influenciaram gregos, troianos e todos que tivessem um bom ouvido. Os caras desceram do palco dia 6 de agosto de 1996 para não voltar mais e deixaram um legado invejável para qualquer músico com o mínimo de senso crítico.
Esse ano, a banda completa 35 anos desde as primeiras apresentações no CBGB, e vamos poder ver seu último baixista, CJ Ramone, tocando os clássicos com o eterno produtor e guitarrista dos Ramones Daniel Rey, o ex-batera do Queens of a Stone Age, Brant Bjork, e o guitarrista do Bad Chopper, Brian Constanza, em uma festança merecida no Outs com as bandas Fox Hound e The Razorblades.
CJ (codinome para Christopher Joseph Ward) possui outros projetos como Bad Chopper e Los Gusanos, mas é claro que o sobrenome herdado de uma brincadeira de Paul McCartney fala mais alto. Conversamos com ele sobre Ramones,claro, mulheres no rock, punk. Confira:
Mundo Rock de Calcinha: Se você pudesse voltar ao tempo dos Ramones, o que mudaria?
CJ: Gostaria de ter começado a escrever canções mais cedo. Algumas das músicas do meu último CD (Bad Chopper) teriam soado grandiosas com Johnny, Joey, Marky e eu.
Mundo Rock de Calcinha: Você votou no Obama? Você acredita na mudança?
CJ: Eu não votei no Obama. Estamos em guerra e eu não acho que ele tenha experiência suficiente para nos guiar agora. Eu acredito na mudança. Mas, infelizmente a história ensina (com exceção de algumas vezes) que a verdadeira mudança só é provocada pela violência e luta. "Revolution" é a forma mais eficaz para que ela aconteça, o que geralmente significa a morte de uma grande quantidade de pessoas inocentes. Foi assim que nasceu o nosso país (Revolução Americana) e como virou um conjunto (A Guerra Civil Americana).
Mundo Rock de Calcinha: Do que você sente falta nas bandas de hoje? Você acha que a galera anda se preocupando mais com a imagem do que com o som?
CJ: Acho que um monte de bandas hoje estão tentando criar a canção e imagem perfeitas em vez de jogar o que sentem. Na sociedade moderna, todos nós passamos por uma lavagem cerebral. Desse modo somos forçados a pensar que temos de ser nada menos do que perfeitos e a música hoje é um reflexo disso.
Mundo Rock de Calcinha: O que você acha da música eletrônica?
CJ: Música eletrônica foi um grande próximo passo. Como todos os genêros de música, tem coisas boas e ruins e por ser jovem é um estilo com grande espaço para a experimentação. As possibilidades são quase infinitas e eu gosto.
Mundo Rock de Calcinha: O que é punk pra você? Um movimento, um estilo de vida ou um rótulo?
CJ: Punk é um estado de espírito. Ele pode ser aplicado a qualquer aspecto da vida. Eu vou ser punk até morrer. E ainda espero que minha lápide diga "Here Lies Cj-Fuck You!"
Mundo Rock de Calcinha: O que você acha da pirataria? Os Ramones passaram por várias mudanças na indústria fonográfica, você acha que é o momento de renová-la?
CJ: A pirataria trouxe a baixo a corrupção da indústria da música, também ficou mais difícil para as bandas ganharem grana e custou o emprego de muita gente. Mas há revolução nessa coisa e alguns inocentes têm de sofrer para mudar. Não dá para ter ideia de como as coisas estarão daqui um ano.
Mundo Rock de Calcinha: Para você, qual o papel das mulheres na música? Você tem uma cantora ou banda ícone?
CJ: Para ser sincero, a música é um lugar onde o sexo não importa. Se você pode fazer alguém sentir as emoções com suas palavras e música, não importa quem ou o que você é. As pessoas vão gostar de você porque você está dando voz a todas as coisas que elas sentem. É um lugar onde todos estão ligados entre si. A arte e a música são veículos para a auto expressão, e não indústria. A música é um lugar onde, na minha opinião, todos são iguais. Minha cantora favorita é Billie Holliday.
Mundo Rock de Calcinha: O que você conhece de música brasileira?
CJ: Fui para o Brasil muitas vezes, e já ouvi um monte de bandas. Mas, particularmente prefiro as coisas mais pesadas. A banda brasileira que merece meu mais alto respeito é o Sepultura. O álbum "Roots" está na minha lista de maiores álbuns de todos os tempos. Não é que eu não ouça outras coisas, mas eles são maravilhosos.
Mundo Rock de Calcinha: O que você pensa antes de dormir?
CJ: Antes de dormir eu agradeço ao Criador pela minha vida.
Se liga no show!
TRIBUTO AOS RAMONES 35 ANOS
Show: CJ RAMONE & CONVIDADOS ESPECIAIS
Abertura: Fox Hound + The Razorblades
Dia: 07/07/2009 (terça-feira)
Horário: a partir das 20hrs * (show CJ Ramone pontualmente às 22 horas)
Local: Clube Outs (SP)
Ingressos:
R$ 30,00 (preço promocional antecipado)
R$ 30,00 (meia-entrada para estudantes * apenas na loja Flame)
R$ 60,00 (na porta, se sobrar)
* serão vendidos somente 300 ingressos para esse show!
Outras informações: www.clubeouts.com.br
texto e foto por: Estefani Medeiros (www.mundorockdecalcinha.com)
07/2009
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