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AUSTRALIANOS DO AC/DC FAZEM SHOW APOTEÓTICO NA CAPITAL PAULISTA


AC/DC em ação no palco do Morumbi (SP)
(foto por: Marcelo Rossi/T4F)

Estefani Medeiros

Eu sinceramente não sei como começar essa resenha, talvez seja o estado de êxtase contínuo que ainda corre pelo meu corpo. O AC/DC já vendeu 2 milhões de ingressos pelo mundo, são 2 milhões de fãs que viram o mesmo palco, (quase) o mesmo setlist e a mesma estrutura que a gente vê em qualquer bom vídeo do YouTube. Mas estar em um estádio com 70 mil pessoas (duas vezes a cidade de Taquarituba) cantando as músicas que você cresceu ouvindo, cantou milhares de vezes e até decorou as horas dos solos pro air guitar, é uma sensação difícil de descrever.

Depois de 13 longos anos sem voltar ao Brasil, a banda de Angus, Malcolm, Brian, Cliff e Phil voltou ao país para um espetáculo visual e auditivo, no mínimo, memorável. Quando cheguei no portão 6 da arquibancada azul do Morumbi, achei que tinha muita gente do lado de fora, mas a verdade é que só tive ideia do que estava por vir quando "Rock and Roll Train" começou a tocar, fazendo quem ainda não tinha entrado (como eu) sair correndo como se não houvesse amanhã.

Quando cheguei lá e vi a quantidade de gente e a puta estrutura do show, tive um primeiro orgasmo. Só de pensar que consegui o ingresso na tarde de sexta (Trajano saves my life) e sai de casa totalmente despreparada e sem ter a menor ideia do que ia acontecer, fiquei muito feliz por estar ali.

Para onde olhava, tudo surpreendia e o fato de não estar chovendo só deixou as imagens mais nítidas e inacreditáveis. Seja os dois bonés enormes com chifres e um A na frente sobre o palco, seja nas milhares de luzinhas vermelhas das tiaras de diabinho, até a locomotiva gigantesca encaixada no meio do palco, tudo fazia parte de uma produção megalomaníaca. E, claro, além de tudo você podia ver a poucos metros as estripulias da banda que soava assustadoramente igual aos álbuns.

Foram duas horas ininterruptas de rock and roll no seu sentido mais cru, verdadeiro e intenso. Teve "The Jack" com imagens das meninas presentes em um telão enorme com direito a Angus fazendo um strip, que foi finalizado com o guitarrista mostrando a cueca que tinha um AC/DC na bunda. Em "War Machine" rolaram umas animaçõezinhas e canto em coro, assim como "You Shook Me All Night Long" que teve até uma fã levantando a blusa, e foi uma das músicas em que eu não sabia se ria, chorava, pulava, gritava, cantava e que deu um arrepiozinho que subiu a espinha.

Quando um sino imenso desceu do palco, já dava para desconfiar de "Hell´s Bell´s" e o vocalista Brian Johnson saiu correndo do meio da passarela, pulou na corda do sino que fez ecoar a introdução da música levando a galera ao delírio. Quando Johson anunciou a próxima dizendo que "essa música fala sobre uma garota" eu já gritava enlouquecidamente por "Whole Lotta Rosie", com a reprodução da groupie em forma de uma boneca inflável gigantesca.

Teve ainda a clássica " Dirty Deeds Done Dirt Cheap " e "TNT" foi tocada em meio a labaredas de fogo que saiam estrategicamente no meio do refrão. Angus e Brian são as estrelas do show, mas quando Malcolm de cabelos grisalhos e Cliff Willians caminham sincronizadamente até o microfone para fazer os backing vocals, a sensação é de companheirismo e divisão de holofotes.

"Let There be rock" foi uma performance absurda de Angus que no auge de seus 54 anos corria pelo palco como um menino hiperativo, passou o corredor inteiro até chegar a um palco no meio do público onde ele subiu uma plataforma uns dois metros no ar, fez chover papel picado, voltou correndo (e tocando), tocou de joelhos, deitado, em cima da parede de amplificadores e terminou a música alternando riffs com palmas da plateia, uma disposição inacreditável que por vezes parece sobre-humana.

"For Those About to Rock" com explosões de canhão foi algo hollywoodiano, já que você fica tão entretido que não percebe de jeito nenhum os efeitos entrando e saindo do palco. No primeiro bis, "Highway to Hell", teve Angus subindo de baixo do palco em meio a luzes vermelhas, em uma performance digna de um bom espetáculo.

O show acaba nesse clima de "cadê Jailbreak" de "volta", "quero mais". Enquanto uma chuva de fogos clareia o céu do Morumbi, a banda sai discretamente em uma van preta por trás do estádio. A vontade que dá é segui-los por todo o resto da turnê.

Sai de lá sentindo que o Angus suou todos os 180 reais do ingresso em um pós show que me fez lembrar daquela sensação deliciosa não só de ouvir música, mas sentir ela possuindo seu corpo e saindo por todos os poros. O rock ainda está longe de acabar.

SET LIST
"Rock 'n' Roll Train"
"Hell Ain't a Bad Place to Be"
"Back in Black"
"Big Jack"
"Dirty Deeds Done Dirt Cheap"
"Shot Down in Flames"
"Thunderstruck"
"Black Ice"
"The Jack"
"Hells Bells"
"Shoot to Thrill"
"War Machine"
"Dog Eat Dog"
"You Shook Me All Night Long"
"T.N.T."
"Whole Lotta Rosie"
"Let There Be Rock"
Bis:
"Highway to Hell"
"For Those About to Rock" (We Salute You)


NOTA DA EDITORA - Atrás do palco o show é diferente
"Agradecemos" a produção nacional e internacional e assessoria de imprensa do evento AC/DC pelo NÃO credenciamento da nossa equipe para este show, impedindo assim que pudéssemos atualizar o portal Mundo Rock de Calcinha. Pagamos pelo ingresso, pois não podíamos deixar de informar os nossos leitores como foi o evento. Todos acessam nosso portal em busca das novidades, todas anunciadas por nós (trabalhando em parceria com assessorias e produções que muitas vezes entopem nossos e-mails com SPAM de releases, pedindo notas, divulgações em nosso veículo). Sempre divulgamos todas as agendas no site que tem muita visibilidade, inclusive falamos no programa de rádio que é muito ouvido e já faturou três prêmios em dois anos de existência.

E como todo nosso trabalho é sempre feito de maneira transparente com profissionalismo e humildade, desde nove anos atrás com o MundoRock.net, aqui fica o registro da nossa indignação não somente com essa produção ou assessoria, mas com muitas outras que talvez por fazerem pouco caso, não respeitam e não se interessam em saber do que se trata o nosso trabalho. Se o nosso portal ainda é humilde, independente, mesmo com tanta audiência e divulgação ( inclusive na mídia), não podemos esquecer que a maioria começa 'pequeno' e um dia pode se transformar em um 'gigante'. Mas só quem não tem cabeça de alfinete entende isso. E quem tem humildade enxerga tudo isso.

Talvez esteja mais do que na hora de ser criado um conselho de ética para resolver essa situação. Esperamos estar vivos pra ver tudo isso mudar dignamente e que seja tudo mais justo. E que essas panelinhas se dissolvam de vez. Pois é, caro leitor, o show é bem diferente atrás do palco. Veículos de massa ou artistas (principalmente da TV) entram de graça. Eles poderiam pagar pelos ingressos, pois ganham dinheiro. Nós não ganhamos nada, não temos patrocínios, mantemos tudo do nosso bolso. É justo um veículo como o nosso pagar para cobrir e divulgar esses eventos? E pessoas que muitas vezes nem conhecem a atração musical e muitos menos irão publicar matérias serem credenciadas ou entrarem de graça? Outra coisa que acontece muito, e não é nada legal, na entrada de imprensa muita gente entra de graça por ser amiguinho de alguém da produção ou assessoria. Fora o famoso 'networking' de muitos outros assessores de outras produções ou gravadoras entrarem de graça também, tirando o lugar de equipes como a nossa que pretendiam apenas ter o material jornalístico para atualizar o portal.

Deixamos bem claro que generalizamos sim, mas infelizmente ainda a maioria desses que se dizem profissionais (assessores, produtores, etc) cortam os credenciamentos injustamente. E agradecemos aos poucos que pelo menos se importam em serem educados, respondendo nossos e-mails, explicando o porquê de tudo (sem mentiras) e que sabem trabalhar em parceria. Jamais vamos deixar de reconhecer quem relmente sabe trabalhar e todas as oportunidades que nos deram até o momento. Compreendemos muito bem que existem cotas muitas vezes reduzidas dos credenciamentos, mas para isso ser totalmente verdade seria necessário barrarem os amiguinhos e os VIP. Aí sim, seria justo! E talvez sobrassem mais credenciais para pessoas, como nós, que apenas precisamos de material para atualizar o nosso portal.
Gisele Santos


11/2009

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