Por muitos anos, o Brasil liderou com sobra o posto de país do futebol e, após diversos tropeços, acabou perdendo várias posições no ranking da Fifa, que atualmente é liderado pela Espanha. O nobre leitor deve estar se perguntando: mas o que tem a ver a dita paixão nacional (futebol) com o Heavy Metal e o show do Amon Amarth? Calma, eu explico! Esse tipo de situação também ocorre no cenário da música pesada.
Antigamente, a Inglaterra e a Alemanha eram os países que ditavam as regras. Depois de um período de vacas magras, graças às bandas saturadas, sem criatividade e sem ousadia, os ingleses e alemães tiveram que passar o cetro adiante. E o reinado não poderia estar em mãos melhores: a Suécia. Já faz muito tempo que a escola sueca de Heavy Metal, principalmente o extremo, tem se demonstrado como a mais expressiva do Mundo. A cada ano que passa, diversos grupos nascem, crescem e conquistam cada vez mais territórios e o Brasil tem sido um deles.
Felizmente, neste ano, nós brasileiros estamos tendo a belíssima oportunidade de conferir in loco a grande invasão nórdica que traz as estrelas mais importantes daquele cenário, que hoje manda e desmanda na tendência sonora do Metal.
Após In Flames, Opeth, Dismember, Arch Enemy e outros, o último exército que invadiu a paulicéia desvairada e fez um sensacional bombardeio foi a banda sueca Amon Amarth, dia 10 de maio, no Directv (antigo Palace). O grupo formado por Johan Hegg (vocal), Olavi Mikkonen (guitarra), Johan Söderberg (guitarra), Ted Lundström (baixo) e Fredrik Andersson (bateria) foi impecável!
Acredito que nem mesmo os fanáticos, que sabem tudo sobre a banda, esperavam por um show tão perfeito. Nota 10 é pouco. A apresentação foi indescritível.
Quando as luzes se apagaram, como já esperado, a galera vibrou. Assim que a cortina começou a revelar o cenário de palco com um backdrop maravilhoso, um frisson tomou conta do público. Com todos vidrados naquela imagem ilustrando uma verdadeira batalha viking, a introdução disseminada pelos PAs do Citibank Hall veio a excitar ainda mais os presentes.
O quinteto entrou em cena com Twilight of the Thunder God e Free will Sacrifice, músicas que abrem e também dão o pontapé inicial ao novo disco homônimo a primeira composição do show. Os caras tinham apenas executado duas pauladas e o coro de "Olê, Olê, Olê, Amon, Amon, Amon" já era esgoelado pelos fãs e pegando totalmente de surpresa os suecos, que não sabiam se acenavam para os fãs, sorriam, davam seqüência ao set ou qualquer outra ação. Com certeza, eles não esperavam por uma recepção tão calorosa logo de cara. A partir daí, foi só festa! O grandalhão Johan Hegg, assim como seus comparsas, ficou muito impressionado e emocionado com os fãs brasileiros tanto que abriu um sorriso imenso, que quase não cabia em seu rosto. De tanta satisfação, o palco parecia ter se tornado a sala de estar de seus fieis seguidores.
Como esta foi a primeira apresentação no Brasil, eles tiveram a preocupação de preparar um repertório, que abrangesse praticamente todas as fases da carreira e assim o fizeram. "Asator", "Varyags of Miklagaard", a nova Guardians of "Asgaard", "The Last with Pagan Blood", "Masters of War", "Live for the Kill", "Ride for Vengeance", a insana "Death in Fir"e, "Valhall awaits me" e "Victorious March" foram apenas alguma das músicas que levaram os fãs à loucura na primeira parte do show.
Não deu nem tempo da galera começar a pedir o retorno da banda para o bis, o grupo voltava ao palco sob mais uma hipnotizante introdução, que é emendada a rapidíssima e empolgante" Cry of the Black Birds", presente no álbum With Oden On Our Side, de 2006. A música escolhida para coroar esta exuberante apresentação foi a pesada "In Pursuit of Vikings", do álbum "Fate Of Norns", de 2004.
Curiosidades à parte, os tradicionais "Ôôôôôôs" exaustivamente cantados pelo público nos shows de metal melódico também se fizeram presente. AC, tour manager do Helloween e que acompanhava esta turnê do Amon Amarth pela América Latina, provavelmente deve ter se lembrado dos bons tempos dos alemães.
Vale à pena ressaltar que a qualidade do som estava impecável e a iluminação foi um show à parte. Até parecia que o técnico de iluminação queria aparecer mais que a própria banda, mas, na verdade, o profissional soube muito bem traduzir com seu equipamento o sentimento das músicas apresentadas.
Apesar de escasso, o público presente está de parabéns. Cantou, agitou, abriu rodas, bateu cabeça, só não fizeram chover, porque não dava. Toda essa dedicação relativamente impressionou a todos os integrantes do Amon Amarth, que retribuíram a altura.
A dupla de guitarristas Olavi Mikkonen e Johan Söderberg é perfeita tecnicamente e de um entrosamento excepcional. O baixista Ted Lundström, além de agitar, tocar muito. O baterista Fredrik Andersson é um verdadeiro monstro das baquetas. A total perfeição na execução das músicas foi impressionante. Já o gigante Johan Hegg roubou a cena. Durante quase duas horas, o cara berrou, mas berrou muito sem deixar a bola cair um segundo sequer. A situação mais curiosa foi ao término do espetáculo. Hegg parecia que não queria deixar o palco. Porém, chegou uma hora que ele se conformou, deu as costas pro público e saiu de cena todo cabisbaixo.
Já no camarim, os integrantes do Amon Amarth realizaram o sonho de um fã especial: o jovem Lucas, que viajou de Curitiba a São Paulo somente para ouvi-los e conhecê-los. O jovem curitibano é deficiente visual e recebeu toda a atenção de seus ilustres reis. Lucas ganhou set list autografado, palheta, fotos, credencial, além do mais importante: o carinho dos suecos. Porém, não foi apenas Lucas que ganhou presentes naquela noite. Não satisfeitos, toda a banda saiu do lado de fora do Citibank Hall para tirar fotos, dar autógrafos com os inúmeros fãs da forma mais humilde e simpática possível.
Com o show do último dia 10 de maio, em pleno Dia das Mães, o Amon Amarth se credencia como uma das melhores exibições de 2009 até o momento. Se você não foi ao show, não se preocupe. Com certeza, está não será nem a primeira, nem a última vez que eles tocarão por aqui. Retorno garantido!
Set list:
1. "Twilight of the Thunder God"
2. "Free will Sacrifice"
3. "Asator"
4. "Versus the World"
5. "Varyags of Miklagaard"
6. "Guardians of Asgaard"
7. "Last with Pagan Blood"
8. "Live for the Kill"
9. "Fate of Norns"
10. "Masters of War"
11."Ride for Vengeance"
12. "Where Silent Gods Stand guard"
13. "Runes to my memory"
14. "Death in Fire"
15. "Valhall awaits me"
16. "Victorious March Encore"
17."Cry of the Black Birds"
18. "In Pursuit of vikings"
por: Costabille JR (www.mundorockdecalcinha.com)
05/2009
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