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In Flames simplesmente MARAVILHOSO

Durante os quatro anos do curso de jornalismo, aprendi que o uso de adjetivos é praticamente proibido nas matérias principalmente as informativas. No entanto, como o texto para apresentar este show se trata de um review, eu vou quebrar o protocolo. Enfim, o que é bom é para ser elogiado.

MARAVILHOSO! SENSACIONAL! MAGNIFICO! ESPLENDIDO! São com esses quatro adjetivos que eu descrevo o que foi a única apresentação do In Flames no Brasil, realizado no já histórico dia 15 de fevereiro de 2009, no Santana Hall, em São Paulo.

Eu poderia muito bem parar por aqui e nem começar a escrever este review, pois simplesmente as quatro palavras que iniciam este texto já resumem tudo a ser dito a seguir. No entanto, esse show merece ser contado como mais um épico capitulo do Heavy Metal no Brasil. Afinal, desde que a produtora Highlight Sounds anunciou em conjunto com o Hangar 110 que estava trazendo o In Flames, fãs de diversas localidades entraram em polvorosa. Tanto que, pessoas de todo País invadiram São Paulo no último domingo para presenciar a primeira passagem dos suecos em território nacional.

Cheguei à frente do Santana Hall por volta das 16h e a fila já estava consideravelmente grande. O pessoal estava um tanto quieto demais, mas acredito que todos estavam guardando suas energias para extravasar logo mais.

17h, horário previsto para abertura das portas da casa, e nada de as portas abrirem. E a fila só aumentando... Enquanto fazia aquele tradicional 'meet and greet' com amigos de imprensa, percebi a aproximação de um conglomerado de nuvens negras. Uma "bela" chuva estava chegando. E não demorou muito para que a tromba d'água viesse para "abençoar" a todos. Somente uma hora depois e ainda sob forte chuva, as portas foram abertas.

A banda escalada para a abertura foi o Claustrofobia, grupo que em 2007, realizou uma turnê pela Europa, e vem se firmando como um dos principais nomes do metal brasileiro no exterior ao lado de Krisiun, Sepultura, Torture Squad, Shadowside, Tuatha de Danann, Threat, Ecliptyka e Mindflow.

Com uma sonoridade calcada em um Thrash/Death Metal com uma pegada voltada ao Hardcore, Marcus D´Angelo (vocal/guitarra), Alexandre de Orio (guitarra), Daniel Bonfogo (baixo e backing vocal) e Caio D´Angelo (bateria) não se intimidaram com o ansioso público e tocaram o terror no palco.

A principio, Marcus D´Angelo teve atitude e coragem em pedir desculpas pelo atraso mesmo a culpa não tendo sido do Claustrofobia. Segundo a organização do evento, a casa ficou sem energia das 8h até às 13h. Portanto, esse foi o motivo do atraso tanto para a entrada do público como para o começo do show. Infelizmente, o Claustrofobia foi prejudicado, mas, mesmo assim, os caras tocaram com muita garra e determinação.

O grupo, que tem grande respaldo no cenário underground e vem divulgando o álbum Fulminant, fez uma performance violenta e empolgante. Insane Reality, Condemned, Terror and Chaos, Reality show, a nova Don´t kill the future, Filha da Puta, Paga Pau, Quero que se foda, Thrasher e Enemy foram as composições executadas. É Metal brazuca. É Metal Maloka! Acredito que aos poucos o público brasileiro vai começando a respeitar e apoiar o trabalho das bandas nacionais acima mencionadas, que, em todos os casos, não deve nada para o que temos no exterior.

Fim do Claustrofobia. Os fãs começam a se acotovelar na frente do palco. Todos queriam ficar o mais próximo possível de Anders Fridén (vocal), Björn Gelotte (guitarra), Peter Iwers (baixo), Daniel Svensson (bateria) e Niclas Engelin (Passanger, Engel, Gardenian), que está temporariamente substituindo Jesper Strömblad, guitarrista, fundador e único membro da formação original, internado em uma clínica de reabilitação contra o alcoolismo.

Para alguns a espera parecia uma eternidade, para outros foi rápido até demais. Quando as luzes se apagaram, foi aquele frisson. Ao som da intro Timeless, um a um, os integrantes do In Flames iam revelando suas caras ao fanático público brasileiro. A galera vibra intensamente. A expectativa de 18 anos terminara naquele momento. A emoção toma conta de cada fã, que vibra com a primeira porrada, Delight and Angers, faixa do excelente novo álbum A Sense Of Purpose. A partir daquele momento, os suecos perceberam que aquele seria um show atípico em sua carreira. O público estava em frenesi, agitado e insano.

Sem muita conversa, emendam a clássica Pinball Map. O vocalista Anders Fridén cantava e olhava para a platéia de olhos um tanto arregalados. Ele parecia não acreditar no que via. Na tradicional paradinha de Pinball Map, surge então primeiro coro de 'olê, olé, olê, olé, In Flames, In Flames'. A partir dali, os suecos sentiram o calor do público brasileiro que tanto os músicos estrangeiros falam. No entanto, o primeiro contato do frontman com os fãs foi um tanto estranho. O tom de voz de Anders foi bem afeminado na frase "We are so happy to be here" causou certa estranheza, mas assim que o som voltou a comer solto pelos PAs, todo mundo esqueceu do episódio e puseram seus corpos pra pular.

Na sequência, a balada Leeches (Come Clarity), que provavelmente seria para acalmar os ânimos, pos ainda mais panos quentes para a tão aguardada Episode 666 (Whoracle). A cada música executada mais a banda ficava impressionada com a galera cantando, se esgoelando, pulando sem parar. O guitarrista Bjorn Gellote sorriu o show inteiro. Ele foi um dos que mais demonstrou emoção e satisfação de estar ali.

Sabendo que esta era a primeira vez pela América do Sul, os suecos tentaram elaborar um repertório que abrangesse clássicos de todas as fases do grupo. Drifter (Reroute to Remain) caiu como uma bomba atômica na galera, Colony (Colony) e The Hive (Whoracle) levaram os fãs da fase mais crua à loucura, mas foi Cloud Connected (Reroute to Remain) e Alias (A Sense Of Purpose) que roubaram a cena. É impressionante como as músicas da nova fase funcionam ao vivo. São composições feitas para os fãs cantarem aos berros e agitar sem parar. Humildemente, ao final de Alias, Anders se ajoelhou e ovacionou o público brasileiro. O músico retribuiu todo carinho recebido até aquele momento. No entanto, o público queria matar todo o atraso de 18 anos em dia só.

Apesar de visivelmente cansados no começo do show devido à longa turnê pela América Latina, os integrantes do In Flames não deixaram a poeira baixar e fizeram a festa dos fãs mais saudosistas com a paulada Behind Space, do debut album Lunar Strain. Porém, foi durante Only For The Weak (Clayman) que o público exibiu toda a sua devoção pela banda cantando em uníssono e agitando pra valer. Até mesmo a nova Disconnected teve o seu destaque mostrando que apesar de A Sense Of Purpose ter sido bastante criticado no começo, hoje este disco galga de uma bela aceitação por parte de todos. A música seguinte foi Come Clarity, que veio como um "balde de água fria". Realmente, os ânimos estavam muito exaltados. A temperatura estava muito alta. Tanto a banda como os fãs precisavam respirar um pouco e renovar as energias.

Quem pensou que o In Flames ia dar uma trégua se enganou. Anders anunciou "is time to dance" e veio com uma das melhores composições dos últimos trabalhos do grupo, The Quiet Place, que de calma não tem nada. A roda que abrangeu praticamente toda a casa foi insana, fez tudo tremer. Foi "violência" nua e crua. Nessa hora, por mais incrível que pareça, me lembrei do último show do Slayer por aqui.

Sem tempo para respirar, os suecos emendam The Mirror's Truth, faixa inicial de A Sense Of Purpose e que vinha abrindo os shows do grupo pela América Latina. Infelizmente, a nova música sacrificada foi a pesada Move Through Me. Porém, creio que poucas pessoas sentiram falta.

Trigger, um dos destaques do álbum Reroute to Remain, foi um dos momentos mais sensacionais da noite, mas, acredito que Take This Life, foi o clímax. Primeiro por toda a interatividade que Anders promoveu com a platéia elogiando e dedicando inclusive esta música às mulheres brasileiras. Segundo, foi a energia e intensidade que esta composição arrebatou os fãs. E terceiro, como é bom ver Daniel Svensson arregaçando e dando uma aula ao vivo de como se toca bateria com técnica, precisão, rapidez e criatividade.

O grand finale ficou por conta da já tradicional My Sweet Shadow (Soundtrack to Your Scape). Confesso que quando chegou este momento, meus olhos ficaram marejados. O sonho e a felicidade de todos chegava ao seu final. Mesmo sabendo que o In Flames não fez bis em nenhuma das últimas apresentações, os fãs ficaram por algum tempo gritando "one more song", mas nada de Anders Fridén, Björn Gelotte, Peter Iwers, Daniel Svensson e Niclas Engelin voltarem ao palco.

Apesar de faltar muitas músicas como The Jester Dance, Artifacts Of The Black Rain, The Jester Race, Jotun, Food for the Gods, Zombie Inc., Embody The Invisible, Ordinary Story, Coerced Coexistence, Bullet Ride, ...As the Future Repeats Today, Clayman, Black & White, Egonomic, Free Fall, Metaphor, System, F(r)iend, Touch of Red, Vanishing Light, Reflect the Storm, I'm the Highway, Sober and Irrelevant e March to the Shore, o In Flames lavou a alma da galera. São 18 anos de carreira e acredito que eles devem ter penado e muito para fazer um repertório que chegasse o mais próximo possível para agradar a todos os fãs. Porém, o que realmente interessa é que o público foi um show à parte, cantando todas as músicas do começo ao fim. Não foram poucas as vezes que a voz de Anders era encoberta pela galera. Certamente, a banda ficou feliz por uma receptividade tão calorosa.

O In Flames, como era de se esperar, teve uma atuação maravilhosa. Apesar de Anders Fridén não ter tido uma relação nada amigável e respeitosa com a imprensa especializada em sua passagem pelo Brasil, não podemos negar que o cara é um perfeito frontman. Ele canta, berra, pula, bate cabeça, filma, interage com o público, zoa quem não está se divertindo, brinca com o segurança que não entendia nada de inglês. Realmente, ele faz o que quer em cima do palco.

Björn Gelotte não parou de sorrir o tempo todo. Neste momento, deve estar com músculo zigomático doendo até agora. Exibindo extrema felicidade, não poupou esforços para tocar com muita garra e determinação. Pelo jeito não sentiu muito a falta de Jesper. Isso porque Niclas Engelin não comprometeu em nada. Super discreto, profissional, soube lidar com a pressão principalmente quando o coro enaltecendo o nome de Jesper ecoou por todo recinto. Niclas fez o seu papel direitinho.

O baixista Peter Iwers, trajando o manto do Sepultura, fez e muito bem a sua parte. Assim como muitos baixistas, ele parece aquele jogador de futebol que fica escondido o jogo inteiro, mas quando sai do time toda a tática desmorona. Porém, a cozinha com o excelentíssimo batera Daniel Svensson é uma das mais coesas e precisas. Sem contar que Daniel toca muito. Mesmo escondido atrás de seu kit, o cara se faz presente sentando a mão com força e vontade. Na minha opinião, ele é um dos melhores bateristas da atualidade. O trabalho feito em A Sense Of Purpose é de tirar o chapéu. Ver o sorriso estampado no rosto de cada integrante não tem preço que pague. De fato, quando o Jesper deixar o centro de reabilitação e ficar sabendo de como foi o show no Brasil, o cara de duas uma: ou ele se arrepende e pára de beber ou toma mais um porre e voltar pra se tratar da bebida e agora da depressão.

Pela primeira vez, os mestres do Death Metal Melódico nos brindaram com um grande espetáculo. Confesso, estou até agora me beliscando para saber se era sonho ou realidade. Pode vir Iron Maiden, Mortorhead, Heaven and Hell, pode vir o que for, na minha opinião, o In Flames fez um dos melhores shows de 2009 e um dos melhores shows da minha vida. Espero que não demore muito tempo para que eles voltem.

Se você preferiu ir ao show do Edguy ou do Sinister só tenho uma coisa a dizer: meus pêsames!

Longa vida a Highlight Sounds e a Hangar 110 pela brilhante iniciativa. Sucesso!

Set list In Flames 15/02/2009

01. "Delight and Angers"
02. "Pinball Map"
03. "Leeches"
04. "Episode 666"
05. "Drifter"
06. "Colony"
07. "The Hive"
08. "Cloud Connected"
09. "Alias"
10. "Behind Space"
11. "Only For The Weak"
12. "Disconnected"
13. "Come Clarity"
14. "The Quiet Place"
15. "The Mirror's Truth"
16. "Trigger"
17. "Take This Life"
18. "My Sweet Shadow"

Agradecimento: César (Highlight Sounds) e Marco (Hangar 110)

*Veja fotos deste show AQUI*

por: Costábile Jr. - fotos e texto (www.mundorockdecalcinha.com)
15/02/2009

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