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OTEP EM SAMPA: FOI BOM ENQUANTO DUROU!

Dia primeiro de fevereiro, no Santana Hall, teve show de forró lá pelas 22h, mas antes, às 20h, foi a tão aguardada primeira vez da banda Otep em São Paulo. Na entrada havia uma fila de fãs esperando pelo puro nu-metal vindo da Califórnia. Os fãs delineavam a quadra da casa de show. Eu passei por aqueles jovens vestidos em preto, bebendo e conversando, mas fui indicada para ir ao estacionamento do lugar, procurar pelo responsável que iria me direcionar à famigerada vocalista Otep Shamaya. Eram cinco e meia da tarde ainda quando comecei a esperar pela loira de não mais que 1,65m de altura que, enfim, apareceu com o restante da banda, usando um moletom de esqueleto, uma hora depois. Ela sorriu, rapidamente mostrando sua simpatia, apesar das suas performances com palavras agressivas, da voz gutural, tatuagens e piercings.

O Mundo Rock de Calcinha preparou doze questões para a entrevista com a cantora que se assume lésbica e vegetariana. Apesar de ter aparecido mais umas duas vezes pelos fundos do local para fumar, não trocou mais que duas palavras com os presntes. Eu fui vê-los ensaiar, passar o som. Shamaya conversou com os poucos que assistiam ao ensaio, perguntou a tradução para "caneta", mas ninguém teve coragem de responder! Isso foi lá pelas sete. O show estava marcado para às 19h30, quando, na realidade, somente os portões foram abertos. Meia hora depois, a banda entrou no palco. Não teve tempo para entrevistas, a banda também recusou.

Na comissão de frente, o baixista Evil J. detonou numa performance junto de Aaron Nordstrom, na guitarra. Os dois, ao lado de Shamaya, formavam a moldura de um quadro expressionista que a cantora pintava a cada música. Cantando com forte expressão, às vezes Shamaya abaixava-se para tocar a mão do público mais próximo ao palco relativamente alto, além de apontar para os que estavam mais distantes. Ela não sossegou somente com o pé sobre o amplificador, até porque, devido a algum possível problema nas cordas vocais, fazia breves intervalos entre as músicas para beber algo.

Por falar em bebida, Evil J. também se lembrou de água, mas de jogá-la no público, apertando uma garrafa. A banda foi tão acolhedora que, não somente Shamaya aceitou uma bandana de um fã (e fê-la de venda) como Evil também deixou os fãs tocarem seu baixo. Uma pelúcia também foi jogada para a banda, mas os staffs muito rapidamente retiraram o objeto do palco. Shamaya nem viu. Estava interessada no grito das meninas entre a platéia que, mesmo depois de duas tentativas, não a deixou muito satisfeita.

A vocalista também usou outros adereços durante o show, como uma tiara com chifres de diabo a piscar e uma meia-calça arrastão rasgada e enfiada na cabeça. Talvez ela quisesse provocar aflição mesmo, afinal, é a agressividade do metal que atrai Shamaya. Mesmo suavizando sua voz, a cantora pregava e interpretava, rasgando os sentimentos com seu distintivo gutural.

Apesar de toda a receptividade da banda com o público, eles não tocaram a música 'Warhead', por qual os fãs gritaram. A setlist foi variada, com músicas do álbum "Sevas Ter" e também do "The Ascension", mas, ainda assim, foi curta - um dos motivos de reclamação, por parte dos fãs, do show. Não tocaram 'Buried Alive', mas tocaram 'Ghostflowers' e 'Breed', música que fez a platéia toda pirar. Shamaya pedia por isso, queria todo mundo enlouquecendo. E o povo atendeu: teve bate-cabeça, empurra-empurra, gente escorregando e caindo, gente berrando e pulando com os braços para cima.

No fim do show, surpreendentemente, a banda concedeu uma sessão de autógrafos que, assim como o show, também foi curta. Todos os integrantes estavam sendo muito abertos com os fãs: tiraram fotos, assinaram desde camisetas a tênis e também trocaram palavras com aqueles que dominavam um pouco de inglês. Até pedido de beijo por parte dos meninos Shamaya recebeu!

A sessão terminou com mais uma boa galera atrás do vidro surtando por causa de uma bandeira que acabou fazendo papel de cortina. Quando retirada, Shamaya se voltou para os fãs persistentes e cumprimentou-os. Houve até ameaça de que ela quebrasse o vidro, porque uma das mesas ela já havia marcado com uma de suas ilustrações (conforme ilustra a foto abaixo).

O restante da banda já estava longe quando Shamaya estava a se despedir dos últimos fãs, mas consegui falar com o baterista, Brian Wolf. Ele disse que gostou muito de fazer o show em São Paulo, que eles com certeza voltarão ao país. Perguntei como foi o primeiro show que fizeram no Brasil, no Rio de Janeiro, e ele me disse, com uma sutileza incrível presente num revirar de olhos e um sorriso: "It was different." Pelo jeito, os paulistas realmente piraram como eles queriam!


Mesa autografada por Otep Shamaya
Créditos:
Lidia Zuin (texto e fotos)
03/02/2009

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