Estefani Medeiros
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Sonic Youth em ação foto por: Fábio Guinalz e Almir Martins (AgNews) |
Quem não pôde ir ao Planeta Terra no Playcenter no último fim de semana, 07 de novembro, com certeza perdeu uma das grandes experiências musicais do ano. Mesmo disputando público com o show do Faith no More no Maquinária Festival, estava cheio a ponto de ser bem sucedido, mas vazio quando se tratava de espaço e comodidade. Os brinquedos ficaram em funcionamento e as filas que geralmente levam horas, não duravam mais que minutos. Os banheiros estavam limpos e a facilidade para chegar na frente do palco era incrível. Na plateia, você podia encontrar diversas gerações e bandas apostando nos favoritos da noite. Mesmo com o palco próximo (não a ponto de rolar uma poluição sonora) era difícil fazer um roteiro que desce para ver tudo, e o dia ensolarado terminou com chuvas que pareciam ter sido agendadas para dar o clima certo aos melhores shows.
O Móveis Coloniais de Acaju começou a tocar um pouco antes do horário marcado, tempo suficiente para emplacar todos os hits do novo álbum C_MPL_TE e alguns sucessos do primeiro CD. O show dos caras desde sempre é enérgico, animado. A música "Copacabana" foi tocada do meio do público e foi uma escolha bem acertada para abrir o festival junto com os pernambucanos do Mombojó. Enquanto isso, no palco indie, a banda EX! liderada por Monique Maion tinha um público tímido para conquistar. A banda com influências de electro pop conta com as referências jazzísticas e a bela voz de Monique que super animada corria de um lado ao outro do palco fazendo estripulias. Para quem quiser conhecer, o site oficial é [www.ex.art.br]. Depois deles o pessoal do Copacabana Club veio mostrar porque é uma das grandes promessas do indie brasileiro e a vocalista Cacá desceu ao palco para ficar mais perto dos fãs no fechamento do show com "Just do it".
O Sonic Youth de longe era a banda mais esperada da noite. Depois de uma apresentação mediana no Claro que é Rock em 2005, onde também compartilhou palco com Iggy, mostrou porque continua sendo a banda mais representativa do cenário alternativo depois de 29 anos. Mesmo sem a presença do guitarrista Lee Ranaldo que sofreu uma lesão no braço e sem se apegar a grandes hits, de 15 músicas do set list tocaram 8 sons do novo álbum The Eternal como "No Way", "Calming, the Snak" e "The sprawl". Kim Gordon foi um espetáculo à parte, charmosa e espontânea fez de "Jams run free" uma brisa pessoal onde rodou em torno de si mesma até cair no chão de tontura. E Thurston Moore é uma lenda viva, com praticamente a mesma roupa e o mesmo cabelo do início de carreira, dava a composição da banda no palco um aspecto de conjunto, de divisão de brilho. Sem disputas, só pelo rock and roll.
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Banda EX! foto por: Fábio Guinalz e Almir Martins (AgNews) |
O Ting Tings não atraiu muita gente mais do que 10 minutos. O som é até legal para ouvir, mas no palco é um fiasco. Não dava para saber o que Katie estava tocando, o que estava gravado e o que era eletrônico. Uma mistura confusa onde ela se revezava entre instrumentos que não tinham sincronia nenhuma. Não tinham nem como disputar o horário com IggyPop que valeu bem mais a pena. E totalmente na contramão do Sonic Youth que era uma BANDA, deu para entender por que seu nome foi separado dos Stooges. A banda praticamente servia as loucuras dele do palco que dançava e cantava com a mesma voracidade de sua adolescência. De vez em outra abaixava um pouco a calça até que seu bumbum estivesse totalmente a mostra, em compensação sua voz oscilava entre o grave e gritos que lhe deram a fama. Mesmo meio torto e uns kilos mais gordo chamou o pessoal para subir ao palco, que acabou virando uma baita confusão com os seguranças (leia aqui) e fotógrafos. Mas, o repértório da banda foi bem representado por clássicos como "Raw Power", "Search & Destroy" e "I Wanna be your dog".
A noite foi fechada com os eletrônicos Etienne de Crécy e Anthony Rother que deram o clima de balada para quem conseguiu sobreviver ao festival. Etienne com um palco cheio de efeitos de luzes, como se estivesse no centro de nove quadrados tocou um som mais electro e pesado enquanto Anthony Rother no palco indie se revezava em vocais e teclados colocando todos para dançar. O festival se encerrou como uma experiência para todos os gostos.
11/2009
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