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VIVA LA WOMAN COM ANDREA MARTINS, MIPV E OLD TRUCK

Músicas dos Sonhos para Viagens em Old Truck

Lidia Zuin

No dia último dia 03 de julho, o Centro Cultural São Paulo (CCSP) iniciou o evento Sintonia do Rock. Em companhia do Centro Cultural da Juventude, os dois institutos municipais trazem bandas representativas ao mês do rock. Nesta primeira sexta-feira de julho, o CCSP trouxe o guitarrista Faíska no Show do Meio-Dia e as bandas Músicas Intermináveis para Viagem (MIPV), Old Truck e Andrea Martins e o Império dos Sonhos para compor a primeira parte da terceira edição do Viva La Woman - The Biggs, Hellsakura e Lunettes fizeram parte do repertório de sábado.

O show começou às 19h, como prometido. Por R$14, os espectadores entraram na sala Adoniran Barbosa e contemplaram uma mesa montada por Andrea Martins, ex-Canto dos Malditos na Terra do Nunca (CMTN). Após a artista cobrir a superfície com camisetas e CDs, as pessoas se aproximaram para finalmente conferir os produtos de preço médio R$20.

A abertura do show foi feita pela banda MIPV. A guitarrista gaúcha Laura L é a única integrante fixa do grupo de música instrumental que teve a canção Tecno Andina incorporada à trilha sonora do filme "3 Efes", de Carlos Gerbase. O palco minimalista, anteriormente iluminado em roxo, serviu apenas e suficientemente para uma guitarra e uma bateria, esta dominada por Pitchu Harris.

Música tão complexa que nem de voz precisa. Som tão difuso que cada golpe nos pratos e nos bumbos provocava uma expressão facial em Pitchu. Apesar do silêncio e da morbidez dos espectadores limitados a cadeiras, a líder do MIPV pediu licença para quebrar o silêncio com a música Caixa Preta. A dupla fechou seu concerto com violão e bateria, com a música Arroz com Couve.

O segundo grupo a se apresentar foi o trio punk rock Old Truck. Mari, a vigorosa vocalista, depois de fazer parte de outras bandas, agora mostrava sua voz em estilo mais hard. Agitada, a cantora não se limitava aos berros das músicas de pouca duração e grande envolvimento: levantava a camiseta, cobria o rosto com as mãos, arranhava os braços, agarrava a veste na altura do peito.

Em boa parte da apresentação, Mari esteve de costas para o público e voltada seja para o guitarrista Pomps ou o baterista Faleço. Mas o som era tão atrativo que vez ou outra apareciam semblantes de pessoas em volta da sala, envolvida por vidros transparentes. As canções rápidas e agressivas, como "Question" e "End of the End", faziam o público acompanhar o ritmo com os pés, as mãos, a cabeça.

Quando finalmente chegou a hora e a vez de Andrea Martins, dezenas de pessoas desceram as escadas e rechearam as cadeiras que até então estavam um pouco vazias. Os fãs de longa data, que vêm da época em que a cantora baiana se apresentava na MTV com o CMTN, preencheram as bordas do palco que receberia mais três músicos convidados. O projeto solo da artista, chamado Andrea Martins e o Império dos Sonhos, traz tanto músicas antigas como "Qualquer Intenção" ou "Olha Minha Cara" quanto composições novas, tal qual "Cabeça Garota".

Entre uns goles e outros, talvez de água, que ela bebia do cantil de whisky, a cantora voltava ao microfone, enrolava-se no fio, caminhava pelo palco. Com seus famosos óculos escuros, agora um modelo da Ray Ban, Andrea prolongava sua voz a cada verso que os fãs já acompanhavam. Um cigarro foi aceso, poucas foram as tragadas.

Viva La Woman terminou pouco depois das 21h, mas pessoas persistiram na Adoniran Barbosa por mais alguns minutos. Gente que trazia sonho de ser baterista, gente que acompanha os artistas pela Internet e onde quer que eles se apresentem: eles queriam autógrafos, fotos, conversas, atenção. O bom dos shows no Centro Cultural São Paulo é isso mesmo: a proximidade que a sala de espetáculos emula entre músicos e fãs.

Ouças as músicas das bandas:
www.myspace.com/mipv
www.myspace.com/martinsandrea
www.myspace.com/oldtruckrock

*Veja fotos AQUI*

07/2009

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